Canto e Alma 

por Aldir Blanc

Há mais de trinta anos, escrevi: “Cantar é o espetáculo mais bonito da alma”. Na época, eu falava sobre o Quarteto em Cy, mas essas palavras sempre me deixaram embriagado, ao longo de minha vida, e são também de Elis, Clara, Nana, Leila Pinheiro, Maria Bethânia, Beth Carvalho… Fico feliz em constatar, entrando aos tropeções na Terceira Idade, que minha frase sobre a profunda beleza do canto estava certa.

O CD de Beth Marques confirma, de maneira cabal, que eu tinha razão. Sem modismos e afetações, sem apelar, Beth canta como quem afirma: “É isso aí, gente! Cheguei!”.

Poderia me estender sobre “Refém da Solidão”, “Rabo deGalo”, “Cunhatã” e outros achados felizes, mas uma apresentação é pequena demais para falar na jóia interpretativa de “Mané Fogueteiro” canção que sempre levou o preciosista Guinga às lágrimas. Que me desculpem os mudernos, mas já não se faz Manés Fogueteiros como antigamente. Beth, com sabedoria para uma jovem cantora, coloca nessa obra-prima só o que é preciso e não enfeita, sinal de maturidade e respeito pela criação. Sem isso, uma cantora não pode tornar-se grande,como Beth Marques virá a ser. Claro que não vou escrever, puxando a sardinha para minha brasa: “Há Miles que vem para bem” é tudo que eu gostaria de ouvir e mais um pouco.
Bem-vinda ao universo estelar das cantoras brilhantes, Beth…